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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

As noites das mães - Martha Medeiros

Amo os textos da Martha Medeiros, mas esse caiu como uma luva para minha atual situação!
"A garota avisa que está grávida. Iniciam-se os cumprimentos, presentes e conselhos: passe óleo de amêndoa na barriga, não deixe de fazer exercícios, capriche na alimentação. Até aí, tudo compreensível e bem aceito. Até que a garota pergunta o que fazer para combater o sono. Percebe-se, então, algo estranho no ar. As mulheres em volta, todas já estreadas no papel de mães, entreolham-se. Do entusiasmo, as amigas passam para a piedade. Durma querida, durma bastante, durma até o meio-dia, durma até a cuca vir pegar, porque o sono tranquilo é uma dádiva concedida apenas às mulheres que não têm filhos.

Banquete em Kosovo. Missa em Ibiza. Forro em Montevidéo. Há muitas coisas que não combinam. Filho e oito horas de sono é uma delas. Dormir é um verbo pouco conjugado na maternidade, a não ser que a mãe tenha babá e enfermeira se revezando e um astral muito, mas muito zen.

O bebê nasceu. Parabéns. Ainda no hospital, você entenderá aquele olhar de piedade das amigas. Você será acordada de hora em hora para tomar analgésicos e antiinflamatórios. Será acordada para amamentar o nenê. Será acordada pelo choro do nenê. Será acordada pela emoção de ter tido um filho. Sim você está achando tudo ótimo.

Em casa, segue a movimentação noturna. Você irá acordar de noite para seguir amamentando. Trocará fraldas de madrugada e fará bilu-bilu no filhote enquanto a cidade está num silêncio sepulcral. E mesmo que o nenê seja tranquilo feito um buda, ainda assim você irá espiá-lo no berço para ver se ele está respirando. Tudo bem, é só uma fase, você pensa.

Uma fase, diga-se, que irá durar até o juízo final. Um pouco mais crescidinho, o bebê desejará ir para sua cama: ou você deixa, e o seu sono já era, ou você não deixa e ele berra, e seu sono, babaus.

Crianças têm sede, febre, medo do escuro, dor-de-ouvido e agitações que fazem as cobertas caírem: em compensação, não têm a mínima noção de que são três da matina e mamãe tem uma reunião de trabalho à qual ela gostaria de comparecer sem olheiras.

Crianças perguntam o que é aids, sexo oral e cocaína, dançam o tchan e preferem a Tiazinha aos Teletubbies: insônia, lá vou eu.

Crianças, finalmente, crescem. Já não exigem vigilância cerrada: escapam madrugada afora, bem longe dos seus bocejos. Aí, mummy, não há Lexotan ou Dormonid que lhe faça capotar antes de ouvir o tão esperado barulhinho da chave na porta, denunciando que estão todos de volta, sãos e salvos. Só então você poderá dormir feito um anjo nos vinte minutos que faltam para o sol raiar."
Martha Medeiros - As noites das mães - Maio de 1999 - e será atual em qualquer época.

Beijos
Alê

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Missão: Do berço para cama.

meu anjinho!
Aguardando a chegada do Nicolas, veio a necessidade de um berço. Outro?? Não mesmo! rs.. O Bê já está bem grandinho, então optamos por uma mini-cama (sem falar que é muito mais barato). Sendo que, raramente ele dormia no tal berço no quarto dele. Tinha um colchão aqui em casa que colocávamos ao lado da nossa cama p/ ele dormir. Mãe é mãe né?! sempre dizia que isso não ia acontecer, mas sempre arranjamos uma desculpa, quando era bem bebezinho, tinha medo do refluxo ou dele acordar e eu não ver, depois foi crescendo e desculpas era o que não faltava para deixar ele ali bem pertinho. Como dizia o Henrique "o cordão umbilical não estica!". E é verdade, a vontade é de deixar os filhos sempre bem pertinho. Ultimamente deixava ele dormir no nosso quarto e colocava ele no berço.

Tenho duas metas até o nascimento do Nicolas: o Bê dormir sozinho direto na caminha e tirar as fraldas. Tudo isso quero fazer com a maturidade dele, sei que cada criança tem seu tempo, não gosto de comparações, ninguém é igual. Estou tomando o maior cuidado p/ não tirar o 'reinado', não vai ser fácil dividir a mamãe, o papai e tudo o resto que hoje é só dele.

Em novembro agora, em função do aniversário do Bernardo, coloquei a TV que estava na sala no quarto dele, (precisava de espaço p/ festinha), ele ficou realizado, amou! Aí conversa vai, pede dicas daqui, dicas dali... na escolinha a pedagoga, Claudete Jacovas, me deu uma luz. Disse p/ eu deixar um tempo a tv no quarto dele e deixá-lo olhando até adormecer. E depois que ele conseguisse dormir sozinho tirar de lá. Funcionou, poucas vezes mas já ajudou.

No aniversário de 2 anos o Bê ganhou a mini cama da vó Tetê. Então veio a missão: desmontar o berço e montar a cama nova. Eu estava cheia de expectativas, louca p/ saber se ele ia gostar, como que ia ser. Quando o Papai babão estava desmontando o berço ele nem deu bola. Na hora de montar a caminha nova ele até ajudou (coisa mais amada da sua mãe!).
Ele amou a cama, quando terminou de montar e colocamos o colchão, logo já se deitou. Pensei comigo: 'Vai dar certo!'. Ele ficou até tarde deitadinho olhando filme e nada de dormir, fui lá cheia de carinho e falei: -' vamos nanar filho?'
- 'Qué!'
Vibrei né! ele pegou o bico, o cheiro, o travesseiro,desligou a tv e quando achei que ia deitar na caminha...foi para nosso quarto! Dias ele dorme sozinho com a ajuda da televisão, outros dormi no nosso quarto e depois a gente coloca na cama dele. Semana passada minha irmã Thais estava aqui e ele dormia lá com ela super tranquilo (claro, com um colchão no chão para os dois). O Bê adora um acampamento!
Mas ontem (26/12), fiquei muito feliz, ele dormiu sozinho! sem ajuda da TV, sem Thais, sem acampamentos! Tá certo que já era passado da meia noite e meu dengo tava exausto, mas acho que já foi um passo grande da maturidade do meu pequeno, isso que convidei ele p/ ir p/ meu quarto e ele não quis. É tão lindo cada conquistinha, cada coisa nova que aprende, fico toda boba e emocionada!



Bjus